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02
Dez
2019
Mulher na roda... É pra respeitar!

Mulher na roda... É pra respeitar!

"Não precisa dar espaço
Pois ela já conquistou
Hoje cantar bem na roda
Não é só pra cantador"
(trecho da música "Mulher na Roda", de Carolina Soares)

 

Confiram o relato de Açaí (Mariana Lacerda, aluna do mestre Jaiminho - Grupo Belo Arte Capoeira) sobre o Seminário:

"Nos dias 30/11 e 01/12, aconteceu o II Seminário Temático da Salvaguarda da Capoeira em Minas Gerais, realizado no IPHAN-MG. Para participar do debate sobre gênero, diversidade e identidade, o coletivo feminino Joga, Idalina! inscreveu um artigo - que foi selecionado - onde contava um pouco sobre as vivências do grupo. Ao lado de Mestra Alcione, da capoeira Angola, e da mediadora Priscila Paiva, a mesa abriu o seminário.
 
O público estava, majoritariamente, composto por mestres. Alguns professores, instrutores e pouquíssimos alunos. Tanto as integrantes do Joga, Idalina!, como a Mestra Alcione, compartilharam vivências e trouxeram à tona demandas que circundam o gênero feminino. Diante de um mundo patriarcal, o machismo perpassa por todas as áreas e espaços da sociedade e na capoeira não seria diferente.
 
É preciso compreender que antes de uma mulher entrar num grupo, ela já viveu diversos traumas e abusos advindo do machismo que atuam em seu psicológico. Trabalhar o corpo em um espaço masculino, como é a capoeira, é um desafio, já que por lá também há olhares objetificadores e que preterem as mulheres. É preciso muito mais resistência para permanecer em grupos onde quase não há mulheres, para realizar atividades que durante a vida toda ouvimos que "não foram feitas para mulheres". O machismo também atua quando as capoeiristas são direcionadas às cozinhas e bastidores em eventos, para prepararem e organizarem alimentos. Todos esses tópicos foram abordados no Seminário. Além disso, os assédios feitos por professores, instrutores e, inclusive, mestres, também foi pauta. Essas situações, na maioria das vezes, são silenciadas dentro dos grupos e muitas vezes dentro das próprias mulheres por questões culturais da forma como foram educadas. Mas, para mudar o cenário, é preciso falar sobre!
 
Diante as considerações da platéia, foi notório perceber que muitos ainda não entendem o que é machismo, como ele atua e os danos que causa. Entendendo a Capoeira como um instrumento que contribui para a formação de cidadãos, é preciso então, também, discutir assuntos que permeiam a sociedade como um todo. Entendendo que a capoeira foi e é um instrumento contra a opressão, temas como machismo, homofobia, racismo, entre outros, também devem fazer parte das rodas de conversa dos grupos de capoeira. Somente com educação e debate é que haverá conscientização de que tudo que é feito a nível Federal, Estadual e Municipal, nos atinge enquanto cidadãos, mas também como capoeiristas. É preciso um esforço institucional, mas também de homens e mulheres, alunos e alunas, mestres e mestras, para que haja transformação.
 
O Joga, Idalina! agradece a oportunidade de participar de uma Seminário tão sério e espera ter contribuído para um debate tão importante. Também agradecemos ao Formando Jabuti pelo espaço concedido para compartilharmos um pouquinho da experiência.
 
E aí, você sabe o que é machismo? O que você faz para combatê-lo?"
 
Clique aqui para outras informações disponíveis no perfil do Facebook da Açaí.
 
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CNGV

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